segunda-feira, 19 de março de 2012

domingo, 18 de setembro de 2011

Hoje...

Não sei e nem quero saber... É perfeita...



Hoje, as estrelas voltaram a sêr só minhas...




Até um dia...


Avô




Feitio tramado. Não que me possa queixar. Mas estes últimos 10 anos fizeste a cabeça em água ao pai e à mãe! Da-se!!!

Não sei que te diga. Há coisas que nunca entendi bem. Conseguias criar uma revolução em qualquer lado, com qualquer pessoa. Menos comigo. Cheguei a ter que me por em "bicos-de-pés" para te controlar. E tu aceitavas!

Feitio de treta! Arrogante, vaidoso, orgulhoso, agressivo, beligerante, intolerante, anarca, ingrato... Eras um poço de defeitos! Mas...

Não sei que raio se passa com o nosso lado da família. O lado dos gajos parece que foi forjado num dia de tempestade, de mar revolto! Espada numa mão, bandeira na outra!

Mas também conheci o teu outro lado. Aquele que me deste. Sempre tiveste um orgulho tremendo em mim. Mesmo quando não o merecia. Mas sempre o tiveste. E foste tu que, quando eu mal aprendi a lêr e escrever, me ofereceste os meus primeiros livros. Seguidos de tantos outros...

Pontaria  que tiveste. O mais certo é ter sido fruto do acaso mas o Spirou e o Fantásio continuam a sêr os meus heróis. Tudo bem, entrentanto apareceu o Calvin. Mas são os meus heróis. Livros de História, de Ciência... Astronomia, Geografia. Eu devorava tudo, e tu sabias disso!

Treta da genética, do Y que passaste para o pai e ele para mim que me tem dado tantas dores de cabeça. Obstinados, combativos, teimosos, exaltados (às vêzes, só às vêzes)...
Mania de sêr explosão iminente, inconformado, revoltado, exigente, intransigente! Culpo-vos de tudo isso! Dessa voragem que me consome e me faz voar e rodopiar incessantemente. De atraír o tumulto, a confusão, as guerras. De ter que lutar estupidamente para conseguir alguma paz.

Culpo-te a ti e ao pai por tudo isso que me transmitiram! Tudo!
E agradeço-vos todos os dias por isso...

Espero que consigas a paz que nunca tiveste...


P.S.: Já sinto a tua falta...

Os erros não existem...

Desconhecido




Os erros não existem. Pelo menos, os pessoais. O arrependimento é apenas um reflexo de algo que ainda não se encarou de frente. Porque é que fiz isto ? Se não era o que queria, o que sentia ? Tretas!
Claro que fazemos o que queremos! Mesmo que, mais tarde, se pense que não. Se fiz algo, mesmo não sendo pensado, reflectido, mais uma razão! Os erros são aquilo que fazemos mas não temos coragem de enfrentar e entender porque o fizemos.

A determinada altura, vamos achar sempre que, em algum ponto, erramos. É uma forma de reconfortar a alma. Se for um erro, é bem melhor do que aceitar o reverso da medalha. É bem melhor do que lidar com o facto de não sermos bem aquilo que supunhamos, que proclamamos, que vertemos em palavras ou promessas. Só que os actos falam sempre mais alto. E bem mais alto que as palavras que, como o poeta disse, leva-as o vento.
O problema é que lidar com isto implica tentar sêr-se clinicamente frio. Têr estômago. Sem se caír na hipocrisia ou no cinismo. Descobrir que, em maior ou menor medida, todos somos, irremediavelmente, imperfeitos. E egoistas.

E o egoismo... Bem, este gajo é muito complicado! Autêntico camaleão, por vêzes. Pode-se mascarar de generosidade, de altruísmo. De afecto. Por vêzes, até de amôr. Só não se consegue mascarar de uma coisa: coerência. É que o egoismo é intrinsecamente incoerente. Basta dar algum tempo para se perceber se algo é genuíno ou apenas egoista. E como o egoismo é um tanto ou quanto glutão, a prova torna-se fácil de fazer ou acontecer. Basta deixar de ser alimentado como gostaria. E logo se verá. Se for qualquer outro sentimento genuíno, este irá sobressaír. Mas se for o gajo, garanto-vos que irá saltar à vista!

Geralmente, salta à vista agarrado a uma tremenda desilusão! Mas como costumo dizer, por muito que doa, a verdade nua e crua é preferível a uma doce mentira ou ilusão.

Há quem seja extremamente egoista. Há quem seja menos do que aquilo que supõe. Tal como há criancinhas imaturas até no mais velho homem ou mulher.

É por isso que adoro o Dr. House. Confesso que chego a pensar que quem escreveu a maioria dos argumentos da série foi apenas uma pessoa que, provavelmente, terá mais de House do que de Laurie. Tal vez até se chame Hugh. Faria sentido...

House é, para mim, um maníaco-depressivo, inteligente e profundamente introspectivo. Sobretudo, extremamente íntegro. E exigente. A começar por ele próprio. De tal forma íntegro e exigente que acaba por destruír tudo à sua volta. Não porque o faça propositadamente. Apenas porque não sabe lidar e nem consegue encaixar-se num mundo de pessoas que se escondem e vivem de erros e arrependimentos. De hipocrisia mascarada. Por isso é que ele sabe que, inexoravelmente, irá desiludir-se com as pessoas. Porque é egoista ao ponto de querer que todos sejam genuínos, capazes de se enfrentarem, de serem quem realmente são. Mas este é outro tipo de egoísmo. Regra geral, leva mesmo à desilusão. E a uma sensação de vazio que nenhuma palavra consegue expressar...

sábado, 26 de março de 2011

Conversas...

Wuquan Sanren

"Desculpa lá mas toda a gente está a cuidar da sua vida. Cada um age pelos seus interesses e por aquilo que tem a ganhar! Ninguém dá nada a ninguém, todos são assim e se tu não admites isso a ti mesmo, é porque não tens coragem de enfrentar a verdade!"

De nada adiantou tentar argumentar. "Os outros" e "Toda a gente é assim". Generaliza-se os nossos próprios defeitos e, como num passe de mágica, deixam de o sêr. Se "todos são assim", então não é um defeito. É assim. Como o céu é azul ou a erva é verde.

Os tempos que correm não são fáceis. Para ninguém. Dúvidas, incertezas, medos, inseguranças. Os faróis revelaram-se fogueiras de piratas. E cresce uma revolta no peito, daquelas revoltas revoltadas contra tudo. Até contra a própria revolta. A revolta aquece. Até ferver. Transforma-se em raiva. Mas o comodismo, as desculpas, o cansaço, arrefecem-na. E transformam-na em egoísmo. Quanto mais quente e irracional fôr a raiva, mais frio e calculista se torna o egoísmo.

"Mas há quem faça ou dê sem que seja movido pelo seu próprio interesse! Bolas, isso é muito triste de se ouvir! Quer dizer que tu não fazes nada que não seja apenas porque serve os teus propósitos ? Será que um pai ou uma mãe, dão amôr e carinho aos filhos para seu próprio interesse ?"

De nada adiantou argumentar. Todos são egoístas. Ponto. E os ilustres casos conhecidos de generosidade ou altruísmo deviam sêr submetidos a psicanálise e consequente certificado de insanidade mental!

A generosidade ferida de morte pela sobrevivência. A alma vergada ao peso do consumismo mundano. O mundo ficou tão perto mas, no entanto, ficamos mais sós. E o espanto de quem não percebe, depois um tremendo choro compulsivo vindo não sabe de onde, porque se sente vazio e com vontade de tomar Xanax...

Tenho que deixar de ter algumas conversas com esta malta!.

Está a chover. Sinto o cheiro da terra molhada invadir-me. Sorrir...


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

E já que um Ano Novo toma lugar...

... algo para reflectir...





LGlifesgoodPortugal

Ano Novo...

Calvin & Hobbes - Bill Watterson




Confesso que nunca percebi bem porque é que a passagem de Ano é tão dada a resoluções. Ou, pelo menos, resoluções de vida. Até compreendo que se tenham que tomar algumas. Elas têm que resolver o que vestir, se levam algo com um decote bastante ousado nessa noite para depois a passarem com um casaco bem comprido por cima de tudo, e eles (nós…) com resoluções a tomar tão graves como “Vou dar bola a quem ?” e “Como é que faço para apanhar uma cardina e pegar no carro depois ?”

Este tipo de resoluções até entendo. O que não entendo mesmo é a necessidade de tomar “decisões de vida”. Talvez seja um fenómeno decorrente da cada vez maior empresarialização do mundo: ano novo, novas decisões de gestão!
Mas andar a tomar e proclamar resoluções sob o efeito de passas de uvas regadas com álcool q.b. … Bem, tem muito que se lhe diga!

Ou então com uma tremenda indigestão ou ressaca em cima! “Bem, resolvi que tenho que ter pastilhas Rennie e Gurosan sempre à mão…”
“Vou deixar de fumar!”
E, vai daí, toca a ir com os amigos até à Gossip torrar dois maços de tabaco numa noite. “Não, depois de hoje é que é!”…

No entanto, creio que muito boa gente acaba por fazer o mesmo. Achar que vai cumprir (ou, pelo menos, tentar) decisões tomadas no primeiro dia do ano!
Mas a noite passa, o dia passa. E, aos poucos, apercebemo-nos que nada mudou. Que os papéis em cima da secretária continuam os mesmos. Que o Sr. Fernandes continua a dizer “Bom-dia” como todos os dias o diz. Que a vizinha solteira do 2º esquerdo continua a sorrir-nos daquele jeito… Nem aquele flirt platónico com a miúda gira que se conheceu nessa noite, no meio de copos e música, muda o coração ou a alma…

Olho para trás. Mais um ano. Momentos, maús, bons… O que ganhei, o que perdi. O que conquistei, do que desisti…
Amanhã é outro dia…


P.S.: a tira do Calvin não é fortuita. Ele é o meu héroi…